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Para que serve o Panteão Nacional?

por FP1980, em 09.01.14

Apesar de ter variado, ao longo dos tempos, o conceito de Panteão, a sua definição remete para a “Casa dos Deuses”, devendo, na minha opinião, o seu acesso ser reservado a personalidades que, pelo seu percurso de vida, enalteceram os valores que nós, como povo, queremos perpetuar na memória coletiva.

 

Por esse motivo, julgo que faz todo o sentido que a decisão sobre a transladação dos restos mortais de determinada personalidade seja tomada 5 anos após o seu falecimento, conforme estava estipulado anteriormente. O período foi encurtado para um ano, para “acelerar” a transladação da Amália, numa decisão que roça o populismo barato.

 

Nunca tive a oportunidade de visitar o Panteão Nacional, pelo que tenho que basear a seguinte informação numa pesquisa rápida que fiz online. Com a exceção de monumentos de homenagem a D. Afonso Henriques, a D. Nuno Álvares Pereira e outras personagens da História Portuguesa, as personalidades que, efetivamente, se encontram lá sepultadas são as seguintes:

 

Todas as pessoas que me conhecem pessoalmente sabem que eu sou adepto ferrenho do Sporting Clube de Portugal, mas concordo com a análise generalizada de que o Eusébio foi o expoente máximo do desporto português no século XX.

 

A pressa com que a Assembleia da República analisou e aprovou a transladação do Eusébio para o Panteão revela, a meu ver, a (falta de) qualidade dos atuais dirigentes políticos. Sem desmerecer o percurso de vida do Eusébio, julgo que faria mais sentido, conforme referiu o Miguel Sousa Tavares, que ele fosse transladado para o seu “Panteão”, ou seja, o Estádio da Luz.

 

Sem querer ferir suscetibilidades, acho que não é correto analisar esta questão, procurando somente agradar ao sentimento popular imediato, razão pela qual o período de reflexão de 5 anos era perfeitamente adequado. Assim sendo, não creio que o Eusébio reúna as condições para ser eternizado no Panteão Nacional, pelo menos no conceito de Panteão que eu partilho.

 

Como nota final não posso deixar de referir duas coisas:

  1. Um dos comentários mais idiotas (desculpem o termo, mas não me ocorre outro) que eu li, em resposta aos artigos, brilhantemente elaborados, pelo Henrique Monteiro e pelo Daniel Oliveira, referia, em contraponto com a listagem de personalidades enunciadas por eles e que deveriam estar no Panteão (pessoas como Aristides de Sousa Mendes, Egas Moniz, José Saramago, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Vitorino Nemésio, Natália Correia, Sophia de Mello Breyner), alguém argumentou que muitas dessas pessoas não seriam reconhecidas num inquérito de rua, ao passo que toda a gente conhece o Eusébio. Como se a gritante falta de cultura de algumas pessoas fosse condicionante de qualquer homenagem a personalidades que deixaram marcas intemporais na sociedade portuguesa;
  2. Esta discussão e as consultas sobre o Panteão Nacional, aumentaram a minha própria cultura geral, visto que desconhecia a origem da expressão, que utilizo diversas vezes, “obras de Santa Engrácia”. A origem desta expressão, caso não saibam, prende-se com o facto de a Igreja de Santa Engrácia (Panteão Nacional), ter demorado 284 anos a ser construída. 

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