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Política “Nonsense”

por FP1980, em 07.02.14

 

Tendo passado a minha adolescência nos anos 90 aprecio comédias nonsense, sendo a série Seinfeld, até hoje, a melhor série de televisão que vi…

 

Já não acho tanta graça quando transpõe esse universo para a vida política portuguesa, especialmente numa altura tão crítica do nosso país.

 

Quem tem visto os telejornais no início de 2014, tem verificado que a opinião pública tem centrado as suas preocupações em 3 assuntos (por ordem cronológica):

  • Co-adoção;
  • Praxes académicas;
  • Venda dos quadros do Miró;

 

Sobre estes assuntos, permitam-me as seguintes considerações...

 

Co-adoção

Como ponto prévio, devo confessar que sou favorável à co-adoção e, já agora, embora julgue que os assuntos devem ser separados, à adoção por casais homossexuais.

Mais, entendo que se trata de um direito fundamental das pessoas que não está a ser respeitado e que, ao contrário da opinião do PSD, por esse motivo não deve ser referendado…

Mas o momento mais nonsense deste debate, para além das inqualificáveis declarações do deputado Hugo Soares, foi ver um porta-voz do PS a defender que o Presidente devia vetar a lei porque, passo a citar “o país tem mais em que pensar” (julgo que a citação não é exata, mas o significado foi este…).

Eu entendo que, dada a falta de qualidade das suas intervenções, alguns deputados tenham limitadas capacidades intelectuais, mas a generalidade da população portuguesa tem a capacidade de pensar em vários assuntos ao mesmo tempo, pelo que este argumento parece uma piada de mau gosto.

 

Ainda por cima, tratando este assunto de proteger os direitos de crianças, deverá ser sempre prioritário, independentemente da situação económica do país.

 

Praxes académicas

Relativamente a este debate, confesso que fui praxado e praxei e essas experiências não foram nada traumáticas, antes pelo contrário… Também sei que existem vários casos de abusos nas praxes que têm de ser punidos.

O que acho nonsense são duas coisas:

  1. Que se aproveite uma tragédia que ocorreu no Meco para reacender um debate antes de se conhecer os factos que levaram das morte de 6 pessoas, generalizando a situação e criando a ideia que as praxes são algo muito diferente da imagem que delas tenho.
  2. Sendo todas as pessoas envolvidas nas praxes maiores de idade, a legislação portuguesa já regula detalhadamente todas as interações entre as mesmas. Mais, gozando as universidades de autonomia plena, não entendo porque é que se anda a perder tempo (aqui sim…) a discutir novas leis. Deve-se é responsabilizar as pessoas pelos atropelos às leis que já existem.

 

Venda dos quadros do Miró;

Eu não percebo nada de pintura surrealista (ponto prévio), mas custa-me a entender os argumentos contra a venda dos quadros, alegando que o governo está a delapidar o património cultural do país, chegando ao cúmulo de dizerem que depois disto, só falta ao governo vender os Jerónimos aos chineses.

As pessoas esquecem-se, ou desconhecem, como é que os quadros foram para às mãos do governo.

Que eu saiba, o autor não tem uma particular ligação a Portugal, nem os quadros foram doados ao estado, por isso..

Eu não sou a favor nem contra a venda, acho é que o governo deve procurar rentabilizar ao máximo este ativo e não me choca nada se a opção for vendê-los. A única coisa que acho estranho é estarem a vender os quadros todos ao mesmo tempo, desvalorizando o seu valor individual…

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